Descarbonização: O Problema São os Outros?

 

Entenda os desafios da descarbonização na cadeia de fornecedores e descubra como a responsabilidade compartilhada pode impulsionar práticas sustentáveis.

DESAFIOS DA DESCARBONIZAÇÃO NA CADEIA DE FORNECEDORES

A transição para uma economia de baixo carbono é um dos maiores desafios do século XXI. Para empresas comprometidas com a sustentabilidade, atingir metas de descarbonização envolve muito mais do que reduzir suas próprias emissões diretas. Um dos pontos mais críticos está na cadeia de fornecedores, onde muitas vezes as emissões indiretas (também conhecidas como escopo 3, segundo o Protocolo GHG) representam a maior parte da pegada de carbono de uma organização.

Embora grandes corporações estejam investindo fortemente em tecnologias verdes e práticas operacionais eficientes, a complexidade da cadeia de suprimentos cria um dilema: como engajar fornecedores para que eles também adotem práticas sustentáveis? Nesse contexto, a frase “o problema são os outros” ganha relevância, pois frequentemente empresas enfrentam dificuldades para influenciar seus parceiros comerciais.

 

PROTOCOLO GHG (GREENHOUSE GAS PROTOCOL)

O Protocolo GHG (Greenhouse Gas Protocol) é a metodologia mais amplamente utilizada mundialmente para quantificar e relatar emissões de gases de efeito estufa (GEE). Desenvolvido pelo World Resources Institute (WRI) e pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), o protocolo foi publicado inicialmente em 2001 e adaptado ao contexto brasileiro em 2008, pelo FGVces e WRI, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o WBSCD e mais 27 Empresas Fundadoras, resultando no Programa Brasileiro GHG Protocol.

O protocolo abrange os seis gases de efeito estufa regulamentados pelo Protocolo de Quioto: dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄), óxido nitroso (N₂O), hidrofluorocarbonetos (HFCs), perfluorocarbonetos (PFCs) e hexafluoreto de enxofre (SF₆).

Para facilitar a contabilização, o GHG Protocol categoriza as emissões em três escopos:

  • Escopo 1: Emissões diretas de fontes que pertencem ou são controladas pela organização, como combustão em caldeiras ou veículos próprios.
  • Escopo 2: Emissões indiretas associadas à geração de energia elétrica, vapor, aquecimento e refrigeração adquiridos e consumidos pela organização.
  • Escopo 3: Outras emissões indiretas resultantes das atividades da organização, mas que ocorrem em fontes não controladas por ela, como viagens de negócios, fornecedores, transporte de produtos e uso de produtos vendidos.

 

POR QUE A CADEIA DE FORNECEDORES É UM DESAFIO?

Existem várias razões que tornam a descarbonização da cadeia de fornecedores um desafio:

  1. Diversidade de Perfis: Fornecedores variam em tamanho, setor e maturidade no quesito ESG (Ambiental, Social e Governança). Pequenas empresas frequentemente não possuem recursos financeiros ou expertise para implementar práticas de baixo carbono.
  2. Falta de Transparência: Monitorar e medir emissões ao longo de toda a cadeia é complicado. Muitas vezes, os dados fornecidos por terceiros não são consistentes ou completos, dificultando a criação de uma base confiável para planejamento e execução de metas.
  3. Conflito de Prioridades: Para fornecedores, atender às demandas de custo e prazo pode ser mais urgente do que investir em práticas sustentáveis, especialmente em mercados altamente competitivos.
  4. Regulamentação Fragmentada: Nem todos os países possuem políticas ambientais rigorosas, e fornecedores localizados em regiões com pouca fiscalização podem não sentir a pressão de se adequar às práticas de descarbonização.

 

COMO SUPERAR ESSES OBSTÁCULOS?

Apesar dos desafios, existem estratégias eficazes para promover a descarbonização na cadeia de fornecedores:

  • Engajamento e Capacitação: Oferecer suporte técnico, treinamentos e recursos financeiros para que fornecedores desenvolvam soluções sustentáveis é um passo essencial. Grandes empresas podem criar programas de incentivo que reconheçam e recompensem esforços verdes.
  • Rastreabilidade e Monitoramento: O uso de tecnologia, como blockchain e plataformas digitais, ajuda a rastrear e medir emissões em tempo real. Isso permite identificar pontos críticos e acompanhar os progressos dos fornecedores.
  • Incorporar Sustentabilidade nos Contratos: Empresas líderes podem incluir cláusulas contratuais que exigem metas claras de redução de carbono. Essa abordagem cria um compromisso formal e promove a ação conjunta.
  • Colaboração no Setor: Parcerias entre empresas do mesmo setor ajudam a criar padrões e benchmarks que nivelam a competitividade entre fornecedores, incentivando práticas sustentáveis de forma ampla.

 

O PAPEL DA RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA

A descarbonização da cadeia de fornecedores exige uma abordagem colaborativa. Empresas líderes em sustentabilidade têm a oportunidade de utilizar sua influência para construir um ecossistema de fornecedores alinhado aos compromissos climáticos globais.

Embora o processo seja complexo, os benefícios são significativos. Além de colaborar para mitigação de riscos climáticos, empresas que impulsionam a descarbonização em suas cadeias, englobando atividades upstream e downstream, fortalecem sua imagem, atraem consumidores conscientes e se destacam como protagonistas em um mercado cada vez mais orientado à sustentabilidade.

 

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