É preciso produzir mais com menos
Sustentabilidade e eficiência como fundamentos do novo agronegócio
brasileiro
A agricultura do futuro será, necessariamente, mais produtiva e
menos intensiva em recursos. A equação que orienta o agronegócio moderno já
não é apenas volume x área, mas sim eficiência por unidade de insumo:
energia, água, fertilizante, solo, carbono.
A lógica é clara:
🔹 Produzir mais alimentos com menos pressão
sobre o ambiente,
🔹 Reduzir emissões por tonelada produzida,
🔹 Utilizar insumos com maior precisão,
🔹 Integrar sistemas produtivos que otimizam o
uso da terra.
O agronegócio brasileiro passa por uma transição decisiva. A meta não é
apenas crescer em volume ou ampliar fronteiras. O verdadeiro desafio — e a
verdadeira oportunidade — está em produzir mais com menos: menos água, menos
emissões, menos desperdício, menos impacto ambiental.
E, ao mesmo tempo: mais alimentos, mais produtividade por hectare, mais
rastreabilidade, mais valor agregado.
Essa não é uma agenda ambiental no sentido tradicional — é uma agenda
de produtividade moderna, baseada em ciência, tecnologia e gestão de
riscos.
Sustentabilidade como estratégia produtiva
Com o avanço das mudanças climáticas, a volatilidade dos mercados
globais e o aumento da demanda por alimentos, o agro precisa encontrar eficiências
sistêmicas que tornem a produção mais inteligente e resiliente.
É aqui que a sustentabilidade deixa de ser custo e passa a ser
vantagem competitiva.
Exemplos práticos:
- ILPF (Integração
Lavoura-Pecuária-Floresta): melhora o uso da terra, diversifica riscos
e aumenta a captura de carbono no solo.
- Plantio direto
e culturas de cobertura: reduzem a erosão, conservam a umidade e
fortalecem a fertilidade do solo.
- Bioinsumos e
fixação biológica de nitrogênio: reduzem a dependência de
fertilizantes industriais e emissões de gases como o N₂O.
- Agricultura de
precisão: permite aplicar o insumo certo, na dose certa, no momento
certo — reduzindo perdas e aumentando o retorno por hectare.
ESG e crédito: a sustentabilidade como acesso a capital
A adoção de práticas sustentáveis deixou de ser opcional para
produtores que desejam:
- Acessar linhas de
crédito com juros reduzidos;
- Participar de
cadeias globais que exigem rastreabilidade e governança ambiental;
- Reduzir riscos
climáticos e operacionais.
Produzir com menos emissão e mais rastreabilidade
O agronegócio está sob crescente pressão internacional para monitorar
e reduzir sua pegada ambiental.
Isso inclui:
- Inventário de Gases
de Efeito Estufa (GEE);
- Rastreabilidade da
produção (do solo ao porto);
- Adesão a protocolos
ambientais e sociais (ESG);
- Integração com
cadeias globais que exigem certificações ambientais e sociais.
Políticas públicas já estão alinhadas a esse cenário:
- O Plano ABC+
(2020–2030) crédito subsidiado para práticas de baixa emissão de
carbono e tecnologias regenerativas.
- O Plano Safra
2025/26 prevê R$ 89
bilhões à
agricultura familiar, com foco em agroecologia, irrigação eficiente, recomposição
ambiental e infraestrutura.
- Pronaf
Bioeconomia e Agroecologia: voltado a pequenos produtores com foco
sustentável.
- Programas como o PCA
(armazenagem) e o Proirriga (irrigação sustentável) promovem
infraestrutura essencial com viés ambiental.
Cooperativas como catalisadoras da eficiência sustentável
As cooperativas agrícolas estão desempenhando um papel estratégico
nessa transição. Elas funcionam como plataformas de acesso a crédito,
tecnologia, infraestrutura e governança.
Exemplos do campo:
- Cooxupé (MG)
implementou o Protocolo Gerações, um conjunto de diretrizes para
garantir sustentabilidade na produção de café — do solo ao mercado.
- Cocamar (PR)
investe fortemente em ILPF e ampliação de capacidade de armazenagem,
elevando a resiliência produtiva e logística.
- Cooproeste (BA)
participou do programa ESGCoop, que capacita cooperativas a fazer
inventário de emissões e implementar metas de carbono — com apoio técnico
da FGV e Sistema OCB.
Infraestrutura: o elo crítico para produzir com menos desperdício
Um dos maiores gargalos do agro brasileiro segue sendo a infraestrutura
de armazenagem e logística. O déficit nacional ultrapassa 120 milhões de
toneladas, forçando muitos produtores a escoarem a produção logo após a
colheita, quando os preços são menores e os custos de transporte maiores.
Investir em armazenagem local, silos cooperativos e centros
logísticos com rastreabilidade é parte essencial da equação da
sustentabilidade.
Menos perdas pós-colheita = menos pressão ambiental = mais renda para o
produtor.
Conclusão: eficiência é o novo nome da sustentabilidade
Produzir mais com menos é uma diretriz técnica, econômica e ambiental.
Significa buscar mais resultado por unidade de recurso, com menos
impacto e mais inteligência operacional.
O produtor que adota boas práticas ambientais, melhora sua gestão e
acessa infraestrutura moderna está mais preparado para o clima, o mercado e o
futuro.
O agro brasileiro já demonstrou sua capacidade produtiva. Agora,
caminha com força para provar que também pode liderar o caminho da
sustentabilidade em escala global.
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