Produzir é essencial. Mas armazenar é estratégico


O agro brasileiro cresce, mas sofre com déficit de armazenagem. Veja como ESG e infraestrutura podem mudar esse cenário com políticas e crédito sustentável. 


Não basta produzir, é preciso armazenar

A produção agrícola brasileira bate recordes sucessivos. Em 2025, a safra de grãos deve ultrapassar 320 milhões de toneladas. Mas há um gargalo estrutural que persiste ano após ano: o déficit de armazenagem, que já ultrapassa 120 milhões de toneladas, segundo o IBGE.

Enquanto avançamos em produtividade no campo, mais de 60% dos produtores não têm estrutura para armazenar sua produção na propriedade. Isso os obriga a vender logo após a colheita, geralmente com preços mais baixos e em condições logísticas adversas — o que compromete a renda e aumenta as perdas.

Essa realidade não é apenas uma questão de eficiência operacional. É também uma questão de competitividade, sustentabilidade e segurança alimentar.


Infraestrutura e ESG: o novo binômio do agro

O cenário está mudando. O cruzamento entre políticas públicas de infraestrutura e a crescente exigência por práticas ESG (ambientais, sociais e de governança) está redefinindo o acesso a crédito, mercados e investimentos no agro brasileiro.

O governo federal vem ampliando programas estratégicos:

  • O Plano Safra 2025/26, lançado em 01.07.2025, destinou R$ 516,2 bilhões ao setor, com foco em linhas de crédito sustentáveis, irrigação eficiente, recuperação de pastagens e armazenagem nas propriedades.
  • O Plano ABC+ estimula práticas de baixo carbono e está alinhado à transição ecológica em curso no país.
  • Programas como o PCA - Programa para Construção e Ampliação de Aramazéns - e o Programa de Financiamento à Agricultura Irrigada e ao Cultivo Protegido - Proirrigaganharam reforços importantes, embora ainda distantes da demanda real — estimada em R$ 15 bilhões por ano só para armazenagem.

Pequenos produtores: os que mais precisam, os que menos acessam

O paradoxo se intensifica entre pequenos e médios produtores. São eles os mais afetados pela falta de silos e estruturas, sobretudo em regiões como o Matopiba e o Norte do país — onde as distâncias médias até um armazém superam os 100 km. E, infelizmente, também são os que mais enfrentam dificuldades para acessar crédito, seja por desconhecimento das linhas, seja por entraves burocráticos e altos custos financeiros.

Aqui, o papel de ESG se torna estratégico: práticas sustentáveis e melhor gestão ambiental podem ser a chave para:

  • Reduzir riscos e facilitar o acesso a financiamentos diferenciados;
  • Inserir produtores em cadeias de suprimento que exigem rastreabilidade, compromisso ambiental e transparência social;
  • Fortalecer cooperativas e arranjos produtivos que viabilizem infraestrutura coletiva e logística compartilhada.

Cooperativas: protagonistas da transformação sustentável

Diversas cooperativas estão guiando seus associados nesse caminho:

  • A Cooxupé implementou o Protocolo Gerações, que estrutura a produção de café sustentável desde o solo até o consumidor final.
  • A Cocamar investe em ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) e novos silos, fortalecendo tanto a produção regenerativa quanto a armazenagem estratégica.
  • A Cooproeste, na Bahia, adotou inventário de carbono e práticas de gestão com apoio técnico do Sistema OCB e da FGV — obtendo selo ESG reconhecido.

Essas ações mostram que não basta produzir: é preciso estruturar, conservar, planejar e comprovar. E isso só é possível com investimento em infraestrutura aliada à governança ambiental e social.


Conclusão: armazenar é conservar valor, reduzir perdas e garantir futuro

Armazenar não é apenas guardar grãos. É reter valor, proteger margem, garantir soberania alimentar e ampliar o poder de negociação do produtor. É também evitar perdas, reduzir o trânsito desnecessário de cargas, cortar emissões e promover logística inteligente — tudo alinhado às exigências de um mercado global cada vez mais sustentável.

Produzir é essencial. Mas armazenar é estratégico.

Investir em armazenagem — com critérios ESG — é construir um agro mais resiliente, competitivo e preparado para o futuro.


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