Cadeias Produtivas Globais, Regulação Internacional e o Plano ABC+: O Novo Desafio do Agronegócio Brasileiro rumo à COP30

 


O agronegócio brasileiro enfrenta novas exigências regulatórias internacionais. Entenda como cadeias produtivas globais, ESG, Plano ABC+ e COP30 se conectam.


As cadeias produtivas globais tornaram-se um dos principais vetores de organização do comércio internacional contemporâneo. Para o Brasil, especialmente no contexto das cadeias agroindustriais, essa dinâmica representa tanto uma vantagem competitiva quanto um desafio estratégico, diante do avanço de regulações internacionais ambientais, climáticas e sociais que condicionam o acesso aos mercados de exportação.

Historicamente, o Brasil consolidou sua inserção nas cadeias globais de valor a partir de ganhos de produtividade, escala e eficiência no setor agropecuário. A combinação entre inovação tecnológica, pesquisa agropecuária e expansão logística permitiu ao país assumir papel central no abastecimento global de alimentos, fibras e bioenergia. No entanto, a evolução do comércio internacional alterou profundamente os critérios de competitividade dessas cadeias.

Atualmente, mercados importadores — especialmente na Europa e em economias desenvolvidas — passaram a exigir rastreabilidade, transparência e comprovação de sustentabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva. Regulamentações internacionais relacionadas ao combate ao desmatamento, à redução de emissões de gases de efeito estufa e ao respeito a direitos humanos vêm incidindo diretamente sobre cadeias agroindustriais brasileiras, transferindo responsabilidades não apenas para empresas exportadoras, mas também para seus fornecedores.

Nesse cenário, a adoção intensiva de práticas ESG (Environmental, Social and Governance) deixou de ser uma escolha voluntária e passou a ser um requisito estrutural para permanência em mercados de exportação. Cadeias produtivas que não conseguem demonstrar conformidade socioambiental enfrentam riscos crescentes de restrições comerciais, perda de contratos, dificuldades de acesso a financiamento e deterioração de reputação internacional.

É nesse contexto que o Plano ABC+ (Agricultura de Baixo Carbono) assume papel estratégico para o Brasil. O plano funciona como uma política pública estruturante voltada à redução de emissões no setor agropecuário, à recuperação de áreas degradadas, à integração lavoura-pecuária-floresta, ao manejo sustentável do solo e à eficiência no uso de recursos naturais. Ao incentivar práticas produtivas alinhadas à mitigação e adaptação às mudanças climáticas, o Plano ABC+ contribui diretamente para a conformidade das cadeias agroindustriais brasileiras com padrões internacionais de sustentabilidade.

Além de apoiar o cumprimento das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs – Nationally Determined Contributions) do Brasil, o Plano ABC+ fortalece a governança das cadeias produtivas ao criar condições para maior rastreabilidade, mensuração de impactos ambientais e integração entre produtores, agroindústrias e mercados internacionais. Essa articulação é essencial para transformar políticas públicas em vantagem competitiva no comércio global.

A realização da COP30, prevista para novembro de 2025 no Brasil, intensifica ainda mais esse debate. A conferência deve ampliar a pressão internacional por compromissos climáticos implementáveis e destacar o papel das cadeias produtivas globais como instrumentos centrais de descarbonização. Para o agronegócio brasileiro, a COP30 representa uma vitrine e, ao mesmo tempo, um teste de credibilidade quanto à capacidade do país de alinhar produção, conservação ambiental e inclusão social.

Nesse novo cenário, o Brasil tem a oportunidade de reposicionar suas cadeias agroindustriais não apenas como grandes fornecedoras de commodities, mas como cadeias sustentáveis, transparentes e alinhadas à agenda climática global. Isso exige integração entre políticas públicas, estratégias empresariais, inovação tecnológica e adoção consistente de práticas ESG em todos os elos da cadeia.

Vários estados brasileiros têm desenvolvido políticas públicas inspiradas no Plano ABC+ (Agricultura de Baixo Carbono) ou implementado suas próprias versões estaduais alinhadas às diretrizes nacionais para promover a sustentabilidade no setor agropecuário, entre eles: Acre, Alagoas, Bahia, Espirito Santo, Maranhão, Parána, Maranhão, Distrito Federa, . Essas iniciativas reforçam a importância de fortalecer a adoção de práticas sustentáveis no campo e na mitigação de gases de efeito estufa, complementando a política pública federal coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

Algumas fontes indicam que outros estados mostram sinergias entre suas políticas estaduais de mudança do clima e as diretrizes do ABC+, ainda que não tenham planos oficiais totalmente implantados. Entre eles estariam Amazonas, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins — com iniciativas que promovem práticas sustentáveis no setor agropecuário.

Em síntese, a intensificação das regulações internacionais, a agenda da COP30 e instrumentos como o Plano ABC+ convergem para um mesmo ponto: o futuro da competitividade do agronegócio brasileiro dependerá da capacidade de estruturar cadeias produtivas globais sustentáveis, resilientes e alinhadas às exigências ambientais, sociais e de governança do comércio internacional.



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