Plano ABC+ (2020-2030): Avanços, Oportunidades e Desafios da Agricultura de Baixo Carbono

 

Entenda o Plano ABC+, seus benefícios e críticas, e como a Agricultura de Baixo Carbono influencia a sustentabilidade, o ESG e a gestão da cadeia de fornecedores.


A sustentabilidade deixou de ser um diferencial reputacional e passou a ser um critério estratégico na gestão das cadeias de fornecedores. Nesse contexto, o Plano ABC+ (Agricultura de Baixo Carbono) ocupa um papel central ao estruturar uma resposta institucional do Brasil às demandas globais por produção responsável, redução de emissões e maior transparência nas cadeias de valor.

O Plano ABC+ é a principal política pública brasileira voltada à mitigação das emissões de gases de efeito estufa na agropecuária, com vigência até 2030. Ele dá continuidade ao Plano ABC original e está alinhado aos compromissos climáticos assumidos pelo país no Acordo de Paris. Seu foco é promover ganhos simultâneos de produtividade, eficiência no uso dos recursos naturais e redução da intensidade de carbono da produção agrícola.

Entre as práticas incentivadas pelo plano estão a recuperação de pastagens degradadas, o plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), o uso de bioinsumos, sistemas agroflorestais e florestas plantadas. Essas tecnologias, amplamente validadas pela pesquisa agropecuária, permitem aumentar a produção sem expandir áreas, reduzindo pressões ambientais e riscos regulatórios.

Do ponto de vista das cadeias de fornecedores, os pontos favoráveis do Plano ABC+ são significativos. Ao estimular a adoção de práticas de baixo carbono, o plano contribui para a oferta de matérias-primas com menor pegada ambiental, o que é estratégico para empresas que buscam reduzir emissões no Escopo 3, atualmente o maior desafio dos relatórios ESG. Fornecedores alinhados ao ABC+ tornam-se parceiros-chave para o cumprimento de metas climáticas corporativas, acesso a mercados internacionais e atendimento a exigências de due diligence ambiental.

Outro benefício relevante é o fortalecimento da resiliência da cadeia de suprimentos. Sistemas produtivos mais eficientes e adaptados às mudanças climáticas tendem a apresentar menor volatilidade, menor risco de ruptura no abastecimento e maior previsibilidade de oferta. Isso transforma a sustentabilidade em um instrumento de gestão de riscos e continuidade do negócio, e não apenas em um compromisso ambiental.

No entanto, o Plano ABC+ também é alvo de críticas importantes, que precisam ser consideradas para uma análise equilibrada. Um dos principais desafios é a baixa adesão de pequenos e médios produtores, frequentemente associada à dificuldade de acesso ao crédito, burocracia, falta de assistência técnica e limitações na capacitação para adoção das tecnologias propostas. Esse fator pode gerar assimetrias dentro da cadeia de fornecedores, dificultando a padronização de práticas sustentáveis.

Outra crítica recorrente está relacionada à mensuração e comprovação efetiva da redução de emissões. A ausência de sistemas robustos de monitoramento, reporte e verificação (MRV) em nível de propriedade pode comprometer a rastreabilidade e a credibilidade das reduções de carbono, especialmente quando essas informações são exigidas por compradores internacionais, investidores e normas como IFRS S2.

Além disso, os custos iniciais de implementação e a complexidade técnica de sistemas integrados, como a ILPF, ainda representam barreiras para parte dos fornecedores, sobretudo aqueles de menor porte.

Apesar dessas limitações, o Plano ABC+ estabelece uma base institucional sólida para a construção de cadeias de fornecedores mais sustentáveis no Brasil. Ele cria um referencial técnico, político e estratégico que pode ser potencializado por empresas, instituições financeiras e plataformas de qualificação de fornecedores, ampliando seu alcance e efetividade.

Em síntese, o Plano ABC+ não é apenas uma política agrícola, mas um instrumento estruturante para cadeias de valor sustentáveis, ao conectar redução de emissões, produtividade, inovação e resiliência climática. Para empresas comprometidas com ESG e competitividade de longo prazo, compreender seus avanços e críticas é essencial para transformar fornecedores em parceiros estratégicos da transição para uma economia de baixo carbono.



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